sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Prenúncio de outono...


Li uma frase nesta manhã dizendo que a palavra é prata e o silêncio é ouro...
Às vezes desejaria reverter toda riqueza que carrego em meu silêncio por algumas gotas de prata que necessito.
Penso em alguns momentos que poderia trocar todo esse ouro por qualquer conjunto de palavras que me fizesse escutar o que não posso mais...
Deixariam de ser frases distantes e vozes inaudíveis, quase ocultas no pouco que resta em minha memória.
São poucas e curtas eu sei, mas parecem ter o dom da eternidade.
Estão difusas e confusas, porém inesquecíveis, tal qual uma leve brisa que denota um provável aroma que não se concretiza.
Apenas desperta e aguça os nossos sentidos.
Nenhum ouro, apenas algumas pratas jogadas ao vento em busca de algum recolhimento.
Nada mais que um anteparo, tentando apagar as marcas de um prenúncio de outono...

domingo, 16 de outubro de 2011

A sutileza de sonhar...

Lentamente ela desenhou a sua imagem, reescreveu a minha história e ensinou coisas que eu não sabia. Fez-me enxergar cores que eu desconhecia e colocou-se num retrato oculto, em uma estante particular. Dentro da minha sala íntima me fiz ator e cantei como jamais. Depois de tudo, partiu... Se houve adeus, eu quase não quis ouvir. Fiz de conta que não sabia, deixei o barco à deriva. Quem sabe o mar me carregasse para um porto seguro. Contudo, nenhum vento de tempestade se percebeu, nenhuma poeira se levantou, nem mesmo sua voz. Ainda ecoaram-se sons distantes, como se revelasse um casual encontro. Mas nem mesmo um possível delírio, nem uma insana revelação. O porto estava vazio e os remadores haviam deixado seus pertences largados, como se fossem voltar... Mas não era hora e nem lugar. Por alguma razão, imprópria ou mesmo um receio inexplicável aquela profecia não se cumpriria. A vida retomaria a sua rotina e os velhos ficariam novamente a dar as cartas. Era um jogo virtual, tal qual nossos sonhos enquanto adormecidos. Tudo ficou igual novamente. Parecia até que nada havia acontecido. Teria sido tudo um sonho?

sábado, 15 de outubro de 2011

Reviravolta

Não devia haver desprezo, pois havia um suposto amor. Que mesmo sem saber sê-lo ainda teimava em convencer do contrário. Parecia frase feita, mas não fazia efeito. O encanto foi desfeito e não mais ludibriava... Ao contrário, agora tinha razões de sobra para exigir sua verdadeira vocação. Eu já nem sei mais se faria alguma diferença experimentar um gostinho de liberdade. Talvez, rimasse com paz, mas era sabido que não tinha muito a ver. Só o fato de saber e exercer esse direito, tornava-me grato por todas as possibilidades. Eram oportunidades irrecusáveis, porém quase imperceptíveis. Somente olhos treinados teriam habilidade para reconhecer. E só os coraçōes puros seriam capazes de dominar esse poder. O fogo passava a ser amigo e os dias, descansos. Era hora de saciar a sede e ceder aos fatos oriundos de sonhos esquecidos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Vida e o Coadjuvante...

Eu preciso estar, simplesmente quando a ordem é partir. Nem mesmo com subterfúgios ou desenhos de qualquer moldura não haverá conselhos, tão pouco palavras de boas vindas, que possam determinar o que se pode ou não dizer.

Sou o veículo e a estrada... Faço o meu destino por entre quatro paredes, sem janela alguma que me oriente ou responda, quando estou errado.

Sou frase feita na idéia das pessoas, num voo sem escala, a qual impede que a chegada seja o ponto de partida de um recomeço.

Na verdade soam como velhos tropeços, em velhos caminhos, nos mesmos atalhos, das mesmas e desconhecidas pessoas que trafegam pela mesma avenida. Que da mesma forma continuam a me impedir de revelar a verdadeira caminhada... Um novo marco que permitiria vislumbrar um sentimento melhor e mais otimista do futuro. Percebo então que apesar de tantas mudanças, sou ainda o mesmo e que qualquer coisa fora dessa vertente se resume à morte dos meus mais profundos anseios.

A vida irá cumprir o seu papel e representará de qualquer maneira, porque a sua atuação é inquestionável e, pior, inquestionável, por mais dramática que seja a peça. Todos indelevelmente, como bons atores irão cumprir o seu papel, assim designado, determinado, contratado, decorado, ensaiado e agora desempenhado... Neste pequeno palco, em última instância, à revelia do público e da bilheteria.

A vida tem hora marcada para começar e terminar... Não espera e nem tão pouco admite faltas, mas não se surpreende com o improviso, nem com as mudanças de cenário ou de roteiro... Ela compartilha sua arte com toda a graça seu pequeno espaço, com todos os protagonistas que a ela vem oferecer a sua arte. Ela tem a capacidade de tornar qualquer coadjuvante em ator principal, unicamente conforme o seu desempenho, sem protecionismos ou preconceitos. Ela simplesmente respeita seu livre arbítrio: você é o ator. Se quiser, seu diretor, roteirista e tudo o mais... Basta querer!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cotidiano e ruptura...

Eu calculava a hipótese tão remota de ouvir um sussurro qualquer, mas a porta entreaberta não permitia que ela se estabelecesse em meio àquela sala.
A vigília deveria começar tão cedo quanto pudesse, sem esperar que os convidados, se é que assim poderiam ser chamados, se debruçassem com suas lágrimas em oferenda.
Algumas súplicas poderiam surgir espontaneamente e a sensação de velório poderia começar a tomar conta daquele resto de mundo que dominava todo o enredo.
Seriam dias e dias seguindo rituais, sei lá de que origem ou com qual objetivo. Deveria haver um modo mais racional de compor as roupas, os gestos e principalmente os pensamentos. Afinal, a liberdade era cara demais e a sensação de recebê-la nas mãos, caídas do céu, deveriam fazer qualquer um sair aos pulos, mas para aquela ocasião bastaria um sofrido sorriso a esconder as verdadeiras sensações. E o que será que era verdadeiro no semblante das pessoas naquele final de dia? Tudo não passava de um simples teatro, sem personagens desconhecidos. Estavam mais para um grande picadeiro, cheio de malabarismos nas palavras, cheio de tropeços dos palhaços e ainda uma última plateia que assistia um tanto quanto apática à reação com o rumo que a história tomava, com as interpretações mal ensaiadas.
Mas eu era o único e verdadeiro ator a caminho de uma punição qualquer que me aguardava ao final da linha, nos meus capítulos finais. Aquela estranha sensação de que o mocinho morre no final, parecia constar das páginas terminais do autor.
Ainda assim, guardava uma última folha de arruda dentro da carteira ao lado de um São Jorge, envoltos na minha fé inabalável e uma irônica tristeza interminável. Mas minha fé era infinita e com mais vidas que um gato, misturada a uma poção de fênix.
Eu fiz a minha oração matinal e agora precisava me recolher de todas as manifestações de afeto, pois estava longe de merecê-las, mesmo porque nenhum sentimento de dor passava em minha alma. Nem mesmo uma gota de remorso por algo que tivesse deixado de lado, algum desencontro, uma briga ou questão mal resolvida. Agora o tempo se encarregaria de limpar o resto da poeira que ficou. Sim, novas poeiras seriam depositadas, mas antes de tomarem conta, a velha sujeira seria soprada e quem sabe comporia novos móveis em alguma outra velha casa.
Não encontraria jamais sócios para a dor, por isso não precisaria dividi-las na alegria. Bastava-me a consciência tranquila e uma sensação de paz de espírito. O travesseiro ainda me era confortável e meu sono abençoado.
Não conseguiria fazer de conta... Nunca fui assim e não seria agora a hora de fazer uma "média", ainda mais porque não precisava. Na verdade, desejava sim, um abraço amigo, mas não precisaria fazer muito esforço para esquecer e muito menos para lembrar de qualquer fato ou lembrança que me estimulasse qualquer saudade. O velcro estava selado e o verso guardou suas rimas na mente de um poeta qualquer.
Logo, tudo terminaria e a vida recomeçaria como se um dia nada houvesse acontecido e as manhãs voltariam a ser azuis e as cores da cidade pareceriam celebrar a minha volta aos campos de batalha.

Derradeiros...

Tuas lágrimas despertaram o que me fez te esquecer.
Eu me vi em meio ao cumprimento da profecia,
Que já era tarde, mas parecia cedo e haveria tempo.
Que eu ainda sentiria pouco o vazio que me restava,
Que parecia tudo e não restava nada, nem segunda chamada.
Porque o desfecho das histórias estava mal contado.
Como poderia questionar o final qualquer da autora.
Se me sentia ludibriado, mas estaria meio que embriagado
Do veneno de cheiro doce e cor cobiçosa e gosto amargo.
Porém, é certo que esses goles deveriam ser mortais,
E no entanto, apunhalaram e não destruíram, não afogaram.
Ao contrário, se acumularam. E na dor e no respingo das gotas
Parecia uma última imagem, trançada de verde ao tato aveludado
Surgiria como algo que no extremo suspiro,
Teu perfume debruçado em teu rosto,,
Tua saliva estagnada em minha boca,
Na tentativa de seduzir uma derradeira ferida
A desferir uma última adaga em meu peito.

Trama

O tempo distancia tanto quanto a distância esvazia o tempo
E nesse consumo, o bem precioso envelhece e esquece
Toda dama perde o vestido e toda cama esconde seu segredo

O vento renuncia tanto quanto a renúncia inverte o vento
E nesse resumo, o mal valioso entorpece e aquece
Toda a trama perde sentido e toda trama perde seu novelo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Amores, eternos e únicos...

Caminhei por lugares distantes em busca de um amor e, no entanto, o que encontrei facilmente fenecia, sucumbindo às agruras do tempo.
Nessa fragilidade, descobri que amores eternos resistem menos que a nossa existência.
E que mesmo assim, deveria vivê-los tão intensamente, como se fossem únicos, ainda que não o sendo.
Então, para vivê-los, se ainda o tempo me alimentasse a capacidade de criá-los e de mantê-los, construiria do que resta um doce lar, enquanto meus pensamentos, ainda meus, oferecessem lucidez para inovar as repetidas declarações de amor, minha voz entoasse na mesma paixão as velhas e românticas canções e conseguisse, quem sabe, alinhavar algumas doces e assertivas palavras para ludibriar os ouvidos daquela que quisesse viver esse amor.

domingo, 5 de junho de 2011

Às vezes, é preciso...

Nem sempre é preciso uma derrota para admitir o quanto se está perdido.
Vez em quando é preciso querer sorrir para compreender o quanto estamos tristes.
Por vezes é preciso sentir frio para descobrir a falta do agasalho.
Certas vezes é preciso uma vida inteira para constatar que ainda não temos a experiência necessária, a sabedoria desejada e as escolhas esperadas.
Algumas vezes é desejável um pouco de paz para aceitar a guerra em que nos encontramos.
Ao menos uma vez é preciso amar para descobrir a nossa solidão.
Muitas vezes é preciso desejar o mel para entender quantas flores precisa uma abelha para conseguir o néctar.
Às vezes é preciso liberdade para perceber o quanto somos prisioneiros.

Seria tão bom se aprender fosse algo mais acadêmico, teórico, contudo a vida gosta do empírico e nós só nos sensibilizamos pela prática.
É bom aprender de qualquer forma, não fosse pela dor...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Se pudesse escrever como Mario Quintana...

Ah! Pudesse eu ter uma pequena parte dessa compreensão e fizesse dessa partícula uma degustação inestimável... Tornasse meus pensamentos um pouco menos efêmeros e com eles talvez saciasse a minha sede de saber.
Será que eu poderia anestesiar certas torturas a que me condeno e ficar mais vivo, entre tantos devaneios e ilusões com os quais preparo o meu cenário?

Ah! Pudesse eu ter uma pequena visão desse horizonte e encontrasse um universo nesse grão de areia em que se resume o meu... Combinasse meus pensamentos, um tanto quanto indiferentes, e neles talvez se consolidasse o meu anseio de paz.
Será que eu encontraria um pedaço de mar para navegar e poder partir para um destino desejado e quem saber ancorar entre tantos caminhos, num porto seguro para descansar?

São tantas latitudes e longitudes. Tantas atitudes e vicissitudes...

terça-feira, 24 de maio de 2011

A sutileza de ver o tempo passar...

Não corrigiria frase ou enlace que fosse perene
Não sei se houve ventos ou intentos a me levar mais longe
Só havia energia e a alegria de matar minha sede
Em formas de coragem ou viagem que levassem distante

Pois de tão ocultos ou absurdos que fossem os desejos
Assim, enganaria e negaria as frases imperfeitas
Seriam intenções e suposições diante dos medos
Mal intencionadas e devotadas palavras desfeitas

Contemplaria uma lembrança ou esperança, 'inda carente
A espera de um milagre ou a dor, quem sabe, ainda invisível
A porta, um caminho ou descaminho, seria de repente
Ante o passado imultável e estável, tão incorrigível

Não importa o conceito ou preconceito que tenha existido
Bastaria querer um começo ou recomeço pra chamar
Sem um tempo certo ou incerto em fazer o que era preciso
Apenas desejava a ação e a reação pra reiniciar

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Outro dia...

A vida pregou peças. Fez do holofote o seu coadjuvante.
Fez muito pouco, por alguns minutos, com tal desprezo, a desfazer o novelo, sem deixar sua marca.
Fomos inanimados, congelados, parece que nos esquecemos, deitamos em nosso leito e vestimos a máscara de oxigênio.
Queria entrar no coma induzido e despertar mais tarde, a achar que os problemas iriam se resolver.
Certos problemas se perdem no tempo, outros se acumulam no vento, a trazer somente poeira e envelhecimento.

A vida escreve a peça. Faz do inesperado, o inesquecível.
Faz muitas coisas, todos os dias, com todo o zelo, a tecer a sua trama e nos coloca à prova.
Somos seres vivos, em constante evolução, não sou mais plateia a contemplar. Levanto da cadeira, agora sou ator.
Ao sair da realidade reduzida, a fazer coisas impossíveis e inaceitáveis.
Certos pecados são perdoados no vento, outros mais se acumularão no tempo, a fazer um pequeno e inesquecível momento.