domingo, 16 de outubro de 2011

A sutileza de sonhar...

Lentamente ela desenhou a sua imagem, reescreveu a minha história e ensinou coisas que eu não sabia. Fez-me enxergar cores que eu desconhecia e colocou-se num retrato oculto, em uma estante particular. Dentro da minha sala íntima me fiz ator e cantei como jamais. Depois de tudo, partiu... Se houve adeus, eu quase não quis ouvir. Fiz de conta que não sabia, deixei o barco à deriva. Quem sabe o mar me carregasse para um porto seguro. Contudo, nenhum vento de tempestade se percebeu, nenhuma poeira se levantou, nem mesmo sua voz. Ainda ecoaram-se sons distantes, como se revelasse um casual encontro. Mas nem mesmo um possível delírio, nem uma insana revelação. O porto estava vazio e os remadores haviam deixado seus pertences largados, como se fossem voltar... Mas não era hora e nem lugar. Por alguma razão, imprópria ou mesmo um receio inexplicável aquela profecia não se cumpriria. A vida retomaria a sua rotina e os velhos ficariam novamente a dar as cartas. Era um jogo virtual, tal qual nossos sonhos enquanto adormecidos. Tudo ficou igual novamente. Parecia até que nada havia acontecido. Teria sido tudo um sonho?

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