Meu sonho distraído entristeceu-se, porque não pode amargar a solidão que o assistia e desta forma repudiou todas as ameaças de realidade, pois nela se fazia uma dor irremediável e eu não tinha vontade de chorar. Não, ainda.
Eu pensava que qualquer coisa que me prolongasse a vida seria um sedativo e acreditava nela como se fosse uma cura, mas ela não vinha e eu só adiava a hora do inesperado encontro.
Parecia que se eu distraísse o pensamento, alguém poderia se esquecer e dessa forma eu conseguisse contaminá-la com as inverdades com que sobrevivia.
Era um divertimento cruel, mas não tinha importância, o mundo continuaria a sua vida, todos seguiriam novamente seu destino.
A minha tentativa de modificar os rumos ficaria na história esquecida, sendo apenas para mim, no íntimo do meu ser, um mártir.
Mas não adiantava nada se fosse realmente.
As coisas aconteceram da mesma forma como quando não existiam e assim, continuariam depois que não mais fustigassem.
O tempo passou contemplando a minha vida, mas não fui contemplado pela sorte.
A sorte deu-me apenas a chance de lutar e ela não foi injusta.
Quando se luta a sorte é outra, é sempre sorte quando não se luta sozinho.
Eu nunca estive só, apesar de me sentir só entre as pessoas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário