sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Retrato em branco e preto...

O meu perfume descreve a tua essência
no meu corpo que desenha a tua alma,
pelo qual navego entre destinos e desvios.

Entre o teu veneno que esgota o meu antídoto,
na minha caligrafia que forma a tua letra
e no canto da tua canção em que flutuam meus versos.

O meu retrato descreve a tua imagem
e as nossas diferenças acentuam as semelhanças.
Na qual a tua indiferença ecoa em tua voz, as minhas palavras.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O meu encontro...


Repousavas em minha mente, sem forma, sem pressa.
Eu esperava, mas não batias em minha porta e ela estando aberta, ninguém entraria. Havia somente o teu lugar...
Em palavras e em gestos, tudo quanto o meu coração sentia pela tua calma, ele delirava sem saber com qual sangue se debatia.
Eu sentia passar nas veias o teu aroma inconfundível, querendo confortar-me, mas tu não vinhas e eu não te esquecia.
Era um encanto, no qual eu perdia a tarde, para também perder a noite.
Eu era confuso, mas tinha certeza da tua existência.
Era esperar.
Senti a pressa me bater e tu estavas por perto, tão perto que podia apertar meus braços e ouvir o teu delírio.
Contornarias a minha face e sentiria a tua essência... Era um instante definitivo.
Era hora de sentar e conversar.
Eu sabia, mas ainda não era justo.
Eu chorava e ainda não podia ficar, era um dia calmo e tranqüilo.
Prosseguir com ele era como adormecer no sonho.
Seria um lindo sonho, mas não era permitido.
Precisava te ver quando passasses em frente a calçada.
Sabia que não me despertarias do meu sono profundo.
Se assim fosse, acordar para a realidade seria um gosto amargo e o sonho seria nada mais que ilusão.
Eu participaria da hora dos enfeites, guardaria as mais belas rosas reservadas em tua mesa.
E o teu lugar seria o meu, o melhor.
Um palco longe do espetáculo, pertinho dos meus olhos, abraçado em teu coração.

Delitos...

Não existem fraquezas que superem as nossas prisões.
Pior que as amarras que existem são as algemas que colocamos em nós mesmos.
Não existem torturas que superem as nossas dores.
Pior que os açoites do mundo são os autoflagelos que manifestamos em nossa mente.
Não há cansaço que supere o nosso desânimo.
Pior que a labuta a que somos expostos são as seduções para os quais nos corrompemos.
Tudo começa e termina dentro de nós mesmos.
Todos os culpados estão soltos e apenas um nos aprisiona e vive dentro de nós mesmos.

Dias sem fim...

Um orvalho se mistura à flor do campo.
É um manto que agasalha a areia que rola em seu caminho.
Um espinho que se desnuda, partindo em seu cansaço.
Um regato dispersando, entre céu e terra, todo o seu mistério.
Um mundo velho de braços atados em dias sem fim.

O meu respeito...

Precipitei-me num abismo onde mãos aconchegantes haveriam de me salvar em minha queda final.
A poucos passos do fim do poço, talvez no último suspiro, a vida ainda estivesse por começar.
Não estava tão perdido quanto parecia.
Não precisava me apavorar.
Tudo vale quando luto por alguém, mesmo que esse alguém não seja eu mesmo.
Olho-me no espelho e apesar de todo o desespero que habita, não vejo um sinal de infelicidade.
Sou mais forte do que imaginei.
O vento bateu em minha fronte e o horizonte ainda era visível aos olhos.
Estava face a face com o meu destino, sem medo de enfrentá-lo.
Nunca teria contemplado este horizonte sem antes ter lutado.
Sem ter passado pelas agruras de elevar o rosto e desdobrar a nuca... Numa luta pelo respeito.
O meu próprio respeito...
27111987

Sonho distraído...

Meu sonho distraído entristeceu-se, porque não pode amargar a solidão que o assistia e desta forma repudiou todas as ameaças de realidade, pois nela se fazia uma dor irremediável e eu não tinha vontade de chorar. Não, ainda.
Eu pensava que qualquer coisa que me prolongasse a vida seria um sedativo e acreditava nela como se fosse uma cura, mas ela não vinha e eu só adiava a hora do inesperado encontro.
Parecia que se eu distraísse o pensamento, alguém poderia se esquecer e dessa forma eu conseguisse contaminá-la com as inverdades com que sobrevivia.
Era um divertimento cruel, mas não tinha importância, o mundo continuaria a sua vida, todos seguiriam novamente seu destino.
A minha tentativa de modificar os rumos ficaria na história esquecida, sendo apenas para mim, no íntimo do meu ser, um mártir.
Mas não adiantava nada se fosse realmente.
As coisas aconteceram da mesma forma como quando não existiam e assim, continuariam depois que não mais fustigassem.
O tempo passou contemplando a minha vida, mas não fui contemplado pela sorte.
A sorte deu-me apenas a chance de lutar e ela não foi injusta.
Quando se luta a sorte é outra, é sempre sorte quando não se luta sozinho.
Eu nunca estive só, apesar de me sentir só entre as pessoas.

O perdão...

Orgulhei-me tanto de tão pouco que era e podia ser.
Senti elevar a auto-estima de tudo que fiz e era capaz de fazer.
Inventei mil razões que justificassem meus atos e palavras.
Amparei-me no meu altruísmo e procurei vencer as minhas falhas.
Eu não via erros, ou falsidade, nem mesmo complicações.
A verdade estava escrita em algum lugar que não interessava a ninguém.
Nem mesmo a mim, porque não fazia diferença.
Era ser ou não ser.
Sem alardes, sem hipocrisia, jogos de cena e representações baratas.
Tudo fazia parte do teatro, tudo estava na peça.
A vida pregava a sua, em meio a sua ironia e meu constrangimento.
Sei lá se havia risos, o que importava é que se aprendia uma lição.
Dolorosos aprendizados marcavam-me o rosto e a alma.
Certas coisas seriam inesquecíveis, mas suportáveis.
E dessas cicatrizes, ficariam também boas lembranças.
E seria ironicamente através delas, que se faria a trajetória.
O futuro desejado seria uma conquista impulsionado pelo passado.
E o presente viveria apenas da essência daquilo que ficou.

Começar e terminar...

Eu fiz planos, ainda que inacabados.
Eu desejei muitas coisas, ainda que impossíveis.
Fixei meus olhos nas estrelas, ainda que distantes.
Dividi meus pensamentos, mesmo que sem nexo.
Esperei a hora exata, mesmo que sem tempo.

Fiz de tudo um pouco, todas inacabadas.
Fiz o possível, ainda que impossíveis.
E sonhei sonhos plausíveis, ainda que distantes.
Coloquei razão no lugar da emoção, ainda que sem nexo.
E resolvi terminar as minhas obras, ainda que sem tempo.

Descobrir...

Eu precisava compreender que sim...
Fazer a afirmação inconstestável
Produzir o momento incomparável
E chegar a conclusão inevitável...

Após tantas coincidências vivênciadas
Muitas evidências confidenciadas
Dentre as muitas dádivas inigualáveis
Depois de diversas dúvidas sanadas

Foi o impacto da verdade
Perpetuada em minha existência.
A emoção transformada lá fora
E revivida no mundo dentro de mim.

Na emergência de ir embora
Entre o pedido de urgência da idade
E a interminável paciência
Diante do esforço da dignidade sem fim.

Febre

Marca com ferro em brasa minhas cicatrizes.
Acende com fogo o meu olhar.
Incendeia-me os pensamentos,
Esquenta-me o corpo,

Arde no meu desejo e
Queima-me a alma.
Inflama-me os momentos e
Deixa-me queimaduras.

Aquece-me em teu beijo
No calor desse amor.