Eu preciso estar, simplesmente quando a ordem é partir. Nem mesmo com subterfúgios ou desenhos de qualquer moldura não haverá conselhos, tão pouco palavras de boas vindas, que possam determinar o que se pode ou não dizer.
Sou o veículo e a estrada... Faço o meu destino por entre quatro paredes, sem janela alguma que me oriente ou responda, quando estou errado.
Sou frase feita na idéia das pessoas, num voo sem escala, a qual impede que a chegada seja o ponto de partida de um recomeço.
Na verdade soam como velhos tropeços, em velhos caminhos, nos mesmos atalhos, das mesmas e desconhecidas pessoas que trafegam pela mesma avenida. Que da mesma forma continuam a me impedir de revelar a verdadeira caminhada... Um novo marco que permitiria vislumbrar um sentimento melhor e mais otimista do futuro. Percebo então que apesar de tantas mudanças, sou ainda o mesmo e que qualquer coisa fora dessa vertente se resume à morte dos meus mais profundos anseios.
A vida irá cumprir o seu papel e representará de qualquer maneira, porque a sua atuação é inquestionável e, pior, inquestionável, por mais dramática que seja a peça. Todos indelevelmente, como bons atores irão cumprir o seu papel, assim designado, determinado, contratado, decorado, ensaiado e agora desempenhado... Neste pequeno palco, em última instância, à revelia do público e da bilheteria.
A vida tem hora marcada para começar e terminar... Não espera e nem tão pouco admite faltas, mas não se surpreende com o improviso, nem com as mudanças de cenário ou de roteiro... Ela compartilha sua arte com toda a graça seu pequeno espaço, com todos os protagonistas que a ela vem oferecer a sua arte. Ela tem a capacidade de tornar qualquer coadjuvante em ator principal, unicamente conforme o seu desempenho, sem protecionismos ou preconceitos. Ela simplesmente respeita seu livre arbítrio: você é o ator. Se quiser, seu diretor, roteirista e tudo o mais... Basta querer!
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Cotidiano e ruptura...
Eu calculava a hipótese tão remota de ouvir um sussurro qualquer, mas a porta entreaberta não permitia que ela se estabelecesse em meio àquela sala.
A vigília deveria começar tão cedo quanto pudesse, sem esperar que os convidados, se é que assim poderiam ser chamados, se debruçassem com suas lágrimas em oferenda.
Algumas súplicas poderiam surgir espontaneamente e a sensação de velório poderia começar a tomar conta daquele resto de mundo que dominava todo o enredo.
Seriam dias e dias seguindo rituais, sei lá de que origem ou com qual objetivo. Deveria haver um modo mais racional de compor as roupas, os gestos e principalmente os pensamentos. Afinal, a liberdade era cara demais e a sensação de recebê-la nas mãos, caídas do céu, deveriam fazer qualquer um sair aos pulos, mas para aquela ocasião bastaria um sofrido sorriso a esconder as verdadeiras sensações. E o que será que era verdadeiro no semblante das pessoas naquele final de dia? Tudo não passava de um simples teatro, sem personagens desconhecidos. Estavam mais para um grande picadeiro, cheio de malabarismos nas palavras, cheio de tropeços dos palhaços e ainda uma última plateia que assistia um tanto quanto apática à reação com o rumo que a história tomava, com as interpretações mal ensaiadas.
Mas eu era o único e verdadeiro ator a caminho de uma punição qualquer que me aguardava ao final da linha, nos meus capítulos finais. Aquela estranha sensação de que o mocinho morre no final, parecia constar das páginas terminais do autor.
Ainda assim, guardava uma última folha de arruda dentro da carteira ao lado de um São Jorge, envoltos na minha fé inabalável e uma irônica tristeza interminável. Mas minha fé era infinita e com mais vidas que um gato, misturada a uma poção de fênix.
Eu fiz a minha oração matinal e agora precisava me recolher de todas as manifestações de afeto, pois estava longe de merecê-las, mesmo porque nenhum sentimento de dor passava em minha alma. Nem mesmo uma gota de remorso por algo que tivesse deixado de lado, algum desencontro, uma briga ou questão mal resolvida. Agora o tempo se encarregaria de limpar o resto da poeira que ficou. Sim, novas poeiras seriam depositadas, mas antes de tomarem conta, a velha sujeira seria soprada e quem sabe comporia novos móveis em alguma outra velha casa.
Não encontraria jamais sócios para a dor, por isso não precisaria dividi-las na alegria. Bastava-me a consciência tranquila e uma sensação de paz de espírito. O travesseiro ainda me era confortável e meu sono abençoado.
Não conseguiria fazer de conta... Nunca fui assim e não seria agora a hora de fazer uma "média", ainda mais porque não precisava. Na verdade, desejava sim, um abraço amigo, mas não precisaria fazer muito esforço para esquecer e muito menos para lembrar de qualquer fato ou lembrança que me estimulasse qualquer saudade. O velcro estava selado e o verso guardou suas rimas na mente de um poeta qualquer.
Logo, tudo terminaria e a vida recomeçaria como se um dia nada houvesse acontecido e as manhãs voltariam a ser azuis e as cores da cidade pareceriam celebrar a minha volta aos campos de batalha.
A vigília deveria começar tão cedo quanto pudesse, sem esperar que os convidados, se é que assim poderiam ser chamados, se debruçassem com suas lágrimas em oferenda.
Algumas súplicas poderiam surgir espontaneamente e a sensação de velório poderia começar a tomar conta daquele resto de mundo que dominava todo o enredo.
Seriam dias e dias seguindo rituais, sei lá de que origem ou com qual objetivo. Deveria haver um modo mais racional de compor as roupas, os gestos e principalmente os pensamentos. Afinal, a liberdade era cara demais e a sensação de recebê-la nas mãos, caídas do céu, deveriam fazer qualquer um sair aos pulos, mas para aquela ocasião bastaria um sofrido sorriso a esconder as verdadeiras sensações. E o que será que era verdadeiro no semblante das pessoas naquele final de dia? Tudo não passava de um simples teatro, sem personagens desconhecidos. Estavam mais para um grande picadeiro, cheio de malabarismos nas palavras, cheio de tropeços dos palhaços e ainda uma última plateia que assistia um tanto quanto apática à reação com o rumo que a história tomava, com as interpretações mal ensaiadas.
Mas eu era o único e verdadeiro ator a caminho de uma punição qualquer que me aguardava ao final da linha, nos meus capítulos finais. Aquela estranha sensação de que o mocinho morre no final, parecia constar das páginas terminais do autor.
Ainda assim, guardava uma última folha de arruda dentro da carteira ao lado de um São Jorge, envoltos na minha fé inabalável e uma irônica tristeza interminável. Mas minha fé era infinita e com mais vidas que um gato, misturada a uma poção de fênix.
Eu fiz a minha oração matinal e agora precisava me recolher de todas as manifestações de afeto, pois estava longe de merecê-las, mesmo porque nenhum sentimento de dor passava em minha alma. Nem mesmo uma gota de remorso por algo que tivesse deixado de lado, algum desencontro, uma briga ou questão mal resolvida. Agora o tempo se encarregaria de limpar o resto da poeira que ficou. Sim, novas poeiras seriam depositadas, mas antes de tomarem conta, a velha sujeira seria soprada e quem sabe comporia novos móveis em alguma outra velha casa.
Não encontraria jamais sócios para a dor, por isso não precisaria dividi-las na alegria. Bastava-me a consciência tranquila e uma sensação de paz de espírito. O travesseiro ainda me era confortável e meu sono abençoado.
Não conseguiria fazer de conta... Nunca fui assim e não seria agora a hora de fazer uma "média", ainda mais porque não precisava. Na verdade, desejava sim, um abraço amigo, mas não precisaria fazer muito esforço para esquecer e muito menos para lembrar de qualquer fato ou lembrança que me estimulasse qualquer saudade. O velcro estava selado e o verso guardou suas rimas na mente de um poeta qualquer.
Logo, tudo terminaria e a vida recomeçaria como se um dia nada houvesse acontecido e as manhãs voltariam a ser azuis e as cores da cidade pareceriam celebrar a minha volta aos campos de batalha.
Derradeiros...
Tuas lágrimas despertaram o que me fez te esquecer.
Eu me vi em meio ao cumprimento da profecia,
Que já era tarde, mas parecia cedo e haveria tempo.
Que eu ainda sentiria pouco o vazio que me restava,
Que parecia tudo e não restava nada, nem segunda chamada.
Porque o desfecho das histórias estava mal contado.
Como poderia questionar o final qualquer da autora.
Se me sentia ludibriado, mas estaria meio que embriagado
Do veneno de cheiro doce e cor cobiçosa e gosto amargo.
Porém, é certo que esses goles deveriam ser mortais,
E no entanto, apunhalaram e não destruíram, não afogaram.
Ao contrário, se acumularam. E na dor e no respingo das gotas
Parecia uma última imagem, trançada de verde ao tato aveludado
Surgiria como algo que no extremo suspiro,
Teu perfume debruçado em teu rosto,,
Tua saliva estagnada em minha boca,
Na tentativa de seduzir uma derradeira ferida
A desferir uma última adaga em meu peito.
Eu me vi em meio ao cumprimento da profecia,
Que já era tarde, mas parecia cedo e haveria tempo.
Que eu ainda sentiria pouco o vazio que me restava,
Que parecia tudo e não restava nada, nem segunda chamada.
Porque o desfecho das histórias estava mal contado.
Como poderia questionar o final qualquer da autora.
Se me sentia ludibriado, mas estaria meio que embriagado
Do veneno de cheiro doce e cor cobiçosa e gosto amargo.
Porém, é certo que esses goles deveriam ser mortais,
E no entanto, apunhalaram e não destruíram, não afogaram.
Ao contrário, se acumularam. E na dor e no respingo das gotas
Parecia uma última imagem, trançada de verde ao tato aveludado
Surgiria como algo que no extremo suspiro,
Teu perfume debruçado em teu rosto,,
Tua saliva estagnada em minha boca,
Na tentativa de seduzir uma derradeira ferida
A desferir uma última adaga em meu peito.
Trama
O tempo distancia tanto quanto a distância esvazia o tempo
E nesse consumo, o bem precioso envelhece e esquece
Toda dama perde o vestido e toda cama esconde seu segredo
O vento renuncia tanto quanto a renúncia inverte o vento
E nesse resumo, o mal valioso entorpece e aquece
Toda a trama perde sentido e toda trama perde seu novelo
E nesse consumo, o bem precioso envelhece e esquece
Toda dama perde o vestido e toda cama esconde seu segredo
O vento renuncia tanto quanto a renúncia inverte o vento
E nesse resumo, o mal valioso entorpece e aquece
Toda a trama perde sentido e toda trama perde seu novelo
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