quarta-feira, 31 de julho de 2019

O tempo e eu...

O tempo passa implacável nos seus pequenos passos, todos os dias.
Avança nesse futuro incerto, de surpresas e certo de chegadas.
Se veste de novidade, apesar da constante busca e de manter as conquistas.
Deveria ser o contrário, de rejuvenescer diante da nossa experiência.
Porém de fato, o envelhecer acompanha todas as nossas vitórias.
E o que era para ser para sempre fica no álbum de retratos.
Aliás, fica no passado e tecnologicamente guardado numa poética nuvem.
E que será inalcançável por nossos descendentes.
O que por sinal, poucos se interessarão pelo que fomos.
Tanto valorizamos nossos antepassados, que talvez tenhamos esquecido o que estava por vir.
O conjunto da obra vai se formando.
O legado vai também se acumulando.
Parece que tudo que custou nosso suor um dia, vai virar entulho.
Mas não importa, se o que vale é aquilo que aos nossos olhos se parece.
E se é belo assim será, até que meus olhos se fechem.
A imagem será tal qual a fotografia que guardo digitalmente.
A qual não posso mais tocar, mas ainda consigo vislumbrar.
Acho que é até melhor, sem perder as cores.
Sem ganhar o amarelo, sem se estragar ou rasgar.
O tempo trouxe uma nova perspectiva daquilo que sonhei um dia.
E posso dizer que com certeza está melhor.
Não só porque tecnicamente está mais inteligente, e sim porque estamos melhores.
Aqui dentro, nos lugares onde o meu pensamento vaga e que hacker algum pode invadir.
A minha alma é um lugar sagrado, na qual o Universo coexiste com o mundo exterior.
De lá projeto todas as minhas ideias.
É por lá que planejo o próximo passo rumo ao improvável, antes que acabe.
Pois somos um amontoado de átomos, um conjunto de órgãos.
Que trabalham em harmonia para sobreviver nesse mundo exterior.
Que se inter-relaciona com outras vidas.
Que consideramos semelhantes a nós.
Cada um indivíduo de sua própria carência, de suas dúvidas, de seus afetos.
Enfim de suas histórias.
Não existe uma igual a outra e ainda assim tão semelhantes, tão conectados.
A vida deveria ser longa o suficiente para a gente se cansar dela.
De poder sucessivamente fazer tentativas e mais tentativas até chegar a perfeição.
Mas não é bem assim.
A gente vive o que aprendeu nas fases anteriores.
Resolvemos conforme o conhecimento que se acumulou nos estágios dessa mesma vida.
Se olharmos, parece-nos que temos sete vidas de um gato, ou mais ainda.
E por que não?
Merecemos essa capacidade de fazer da etapa um trampolim.
Só quem domina essa arte meio Fênix, é que consegue saborear o melhor pedaço.
Depois de tanto tempo, depois de tantos erros, a gente vê que são ínfimos diante do querer acertar.
Do tentar, do verdadeiro viver.
Sem remorsos da omissão ou da indiferença.
É muito bom estar diante do monumento.
De saber que cada trecho tem uma particularidade.
Minutos de sensatez e horas, prováveis dias de inabalável resiliência.
De obstinação, sempre, a cada nascer do sol.
Sem deixar se perder no caminho.
O mundo é melhor, porque construímos uma parte.
Pequena, sim, mas com a essa marca.
Não vai passar em vão.
Tudo terá valido a pena.
Porque tem valor, não para mim, para os demais.
A democracia nos leva a construir oportunidades para todas as pessoas de bem!

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